quAndO me eNcontrAres,
deiXa-te eStar

Olha-me nos olhos
e sorri.
Aproxima-te devagar,
como se tivesses prazer em esperar.
Abre os braços,
envolve-me, aperta.
Respira, suspira, chora,
e diz que me amas.
Espera!
Deixa-te estar,
até ouvires o bater do meu coração.
E dá-me a mão.
Acende-me o cigarro
e olha para mim.
Bem no fundo da alma.
E deixa-te estar.
Fecha os olhos,
para ver melhor.
E aí sim, beija-me.
Deixa que os teus lábios
se colem aos meus.
Deixa-os deslizar,
com a saliva,
e deixa-te estar
lábios nos lábios,
mão na mão.

Abraça-me sempre.
Beija-me sempre.
Mas nunca,
nunca deixes de me olhar,
e sentir o bater do meu coração.
Que grita e geme
ta ta ta ta ta ta ta ta ta
bate por ti.

E deixa-te estar.

(Inês Costa Lima)

weNN dU micH geFunDen hAsT,
bLeiBe einFacH

Schau mir in die Augen
und lächle.
Komm langsam näher,
als ob du Lust am Warten hättest.
Öffne deine Arme,
hülle mich ein, drücke mich.
Atme, seufze, weine,
und sag dass du mich liebst.
Warte!
Bleibe einfach,
bis du das Schlagen meines Herzens hören kannst.
Und gib mir deine Hand.
Zünde meine Zigarette an
und schau mich an.
Ganz tief in meine Seele.
Und bleibe einfach.
Schließe deine Augen,
um besser zu sehen.
Und dann ja, küsse mich.
Lasse meine Lippen
an deinen kleben.
Lasse sie abgleiten,
mit dem Speichel,
und bleibe einfach so
Lippen an Lippen,
Hand in Hand.

Umarme mich immer.
Küsse mich immer.
Aber höre nie auf,
mich anzuschauen,
das Schlagen meines Herzens zu spüren.
Es schreit und stöhnt
ta ta ta ta ta ta ta ta ta
es schlägt für Dich.

Und bleibe einfach.

(Inês Costa Lima, Übersetzung: Vasco Esteves)


Lisboa revisitada

Outra vez te revejo - Lisboa e Tejo e tudo -
Transeunte inútil de ti e de mim,
Estrangeiro aqui como em toda a parte
Casual na vida como na alma,
Fantasma a errar em salas de recordações
Ao ruído dos ratos e das tábuas que rangem
No castelo maldito de ter que viver...

(Fernando Pessoa, 1926)


(Foto: © Vasco Esteves, Sintra, 9/2006)

 

 

Lisbon revisited

Ich sehe Dich wieder - Lissabon und Tejo und alles -
unnützer Passant von dir und von mir,
Ausländer hier wie überall
vom Zufall getrieben im Leben wie in der Seele,
Gespenst, das in Erinnerungssälen herumirrt
begleitet von den Geräuschen der Mäuse und vom Knarren der Bretter
in diesem verfluchten Schloss des Lebenmüssens...

(Fernando Pessoa, 1926)


 

(Foto: © Vasco Esteves, Lisboa, 9/2006)

Wenn ich Schiffe sehe...

Wenn ich Schiffe sehe, sie deutete auf das Bild, verspüre ich immer eine große Sehnsucht. Dann habe ich Lust, einfach einzusteigen und mitzufahren. Geht es dir nicht auch so? Ich male mir oft aus, welches Ziel ein Schiff anläuft. Wo fährt dein Schiff wohl hin, was glaubst du? Er zuckte nachdenklich die Achseln. Keine Ahnung. Mein Schiff liegt einfach dort auf dem Tejo, ruhig und unbeweglich. Ich beobachte Schiffe gern. Sie kommen den Fluss entlang, von der leeren Weite des Atlantiks her, liegen wie träge Kolosse einige Zeit vor Anker, ohne dass es den Eindruck macht, dass ihre Anwesenheit irgendeinen Zweck erfüllt, denn nie ist ein Mensch zu sehen, nie rührt sich das Leben, sie liegen da, einfach so, als hätten sie nichts zu tun, bevor sie wieder verschwinden, und es ist, als seien sie niemals hier gewesen, denn sie hinterlassen keine Spuren.

Sie schwieg eine Weile, und beide schauten auf den Fluss, der ruhig unter ihnen lag. Ein weißes Kreuzfahrtschiff zog langsam vorbei, und in der Ferne eilten die ölig orangefarbenen Fähren nach Cacilhas über das Wasser. Die Sehnsucht liegt mir wohl im Blut, sagte sie dann, wir waren immer ein Volk von Entdeckern, das in das Unbekannte, in die Ferne zog. Sie lächelte wieder, und er fühlte, wie feiner Schweiß auf seine Stirn trat, obwohl die Luft angenehm mild war. Wir wussten damals nicht, was uns in der Fremde erwartete, doch der Drang war unbändig und unbezähmbar. Sie legte den Zeigefinger auf ihre Nase, und ihr Gesicht nahm einen träumerischen Ausdruck an. Mag sein, fuhr sie fort, dass wir nicht immer auf direktem Weg zu unserem Ziel gelangten, denn Wetter, Wind und Wellen trugen uns mal hierhin, mal dorthin, aber genau das machte vielleicht auch den Reiz aus. Wir konnten uns keine Vorstellung davon machen, was wir in der Fremde vorfinden würden, auch wenn wir dachten, wir könnten es, aber wirklich konnten wir es nicht, nicht wahr?

(Gabi Buchner, 11/2006)


Pássaro de metal

Este pássaro de metal é o mais importante
elo de ligação entre nós.
São três horas de viagem entre dois mundos completamente diferentes,
mas que nas nossas memórias cada vez mais se confudem um com o outro...
Ele é o fim da nossa união virtual
e da nossa separação real,
é a ponte entre um telefonema e um beijo,
entre a saudade e um abraço,
entre o querer e o poder...

As suas asas assobiam alto, uma pressa que vem de longe,
que já atravessou muitos mares de nuvens e resplendores de sol
e, agora, ao se aproximarem desta planície de praias,
abrandam o seu andar por cansaço e curiosidade...

Elas trazem-te finalmente para baixo, numa missão divina,
num abraço mecânico mas protector
e, depois de muitas suaves curvas sobre ondas e pontes,
parques e avenidas,
salas de espectáculo e cemitérios,
alinham-se rápida e desapercebidamente no eterno fluxo da urbe,
nas artérias pulsantes e desgastantes desta cidade...

Ao longe, no horizonte, o grito do sol em brasa que se põe.
Ao perto, no meu corpo, de novo os teus doces beijos que me acordam...

(Vasco Esteves, Costa da Caparica, 8/11/2006)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

(Foto: © Vasco Esteves, Lisboa, 8/2006)


Der alte Indianer

Ein alter Indianer beschrieb so seine innere Spannung:

"In mir drin leben zwei Welpen: eins ist grausam und böse, das andere sehr zahm und lieb. Sie streiten ständig miteinander..."

Daraufhin fragte man ihn, welches der Welpen obsiegen würde. Der alte Indianer hielt inne, dachte nach und antwortete:

"Dasjenige, das ich füttere."


(Foto: © Vasco Esteves, Bad Homburg/Deutschland, 1999)

Herbst
 
 
Sonnenfalten auf dem Blattgold,
Abschied auf den Gräsern liegt.
Kurze Tage, graustille Hoffnung,
Regentrauer sich um uns schmiegt.
 
Morgentau bedeckt die Sehnsucht,
Winde toben Tag um Tag.
Blaue Stunde, blaue Dämmerung,
Herbst nun an den Wipfeln nagt.
 
Blass nun werden all die Farben,
Sterben prägt den späten Tag.
Herbstgedanken in den Menschen,
Kummer manche Seele plagt.
 
Blüht der Mond in langen Nächten,
werden wach die Herbstdämonen.
Nebel trauert aus den Sümpfen,
Herbst wird bald in allem wohnen.
 
 
(Gerald Block, 10/11/1997)

 

(Foto: © Vasco Esteves, Prerow/Deutschland, 9/2004)

Der See (Lacul)

Auf dem blauen See im Walde
Schweben gelbe Wasserrosen,
Während hell die Wellen kräuseln,
Bebend einen Kahn umkosen.

Und ich wandle an dem Ufer,
Harre lauschend und verschwiegen,
Dass sie je dem Schilf entsteige,
Sich an meine Brust zu schmiegen,

Dass ins kleine Boot wir springen,
Wo um uns die Wasser lallen,
Bis das Steuer ich verliere
Und die Ruder mir entfallen;

Dass wir gleitend fliehn, vom milden
Mond verzückt, in Zauberträume –
Windhauch rausche sacht im Schilfe,
Wellensang uns zart umschäume! -

Doch sie kommt nicht – und ich seufze
Fruchtlos, meinem Gram ergeben,
Einsam an dem blauen Weiher,
Wo die Wasserrosen schweben.

(Mihai Eminescu, 1876, Übersetzung von Zoltán Franyó)


Verão na Arrábida

o calor tórrido é o hálito da terra, o exalar deste corpo imenso, meio-dormente
as sombras do verão são as grutas do refúgio, escavadas
a vastidão dos tapetes verdes é o repouso mudo, prometido
as flores sufocadas pela luz são gritos de alegria, incontidos
a névoa matinal dos montes não passa do respirar da serra, espreguiçada
os frutos pendentes das árvores são gotas de esperança, maduras
assim como o azul infinito do céu é apenas uma manta diurna sobre as estrelas, escondidas

por isso este vento morno é nada menos do que o mensageiro que me trás o cheiro de ti, aperfumado
e o leito nervoso deste mar é a cama dos nossos sonhos, apaixonados

(Vasco Esteves, Arrábida, 17/7/2004)

(Foto: © Vasco Esteves, Arrábida/Portugal, 7/2004)


(Bild: © Neusa Alves-Sobrinho-Amtsfeld)

Blau

Als stolperte sie
zögerte 
dem Moment entgegen
indem sie Luft hebt
Sekunden schluckt
sich faltet
sich mit einem Auge zu.
 
Im Bauch der Abschied
nichts winkt
erschüttert
die Wimper auf der Wange
ein Moment
 
für dich
für mich 
ist es Zeit
sie zu sehen.

(© Alessandra Mancinelli,  03/12/2003)


Chega uma altura

E chega uma altura em que se começa a conviver com a morte como se fosse uma amizade antiga: alguém que está para aí, numa cadeira qualquer, sem incomodar a gente, amável, quase simpática, a olhar-nos por cima dos óculos com uma revista nos joelhos.

chega  uma altura em que a morte é uma pessoa de família, uma parente não muito próxima que se convida quando há um lugar a mais na mesa: vêmo-la, na ponta da toalha, modesta, apagada, a comer connosco, a sorrir quando nos rimos, a concordar de leve, a ir-se embora antes dos outros: Não se incomodem, não se incomodem (...). Procuramos no albúm e é aquela pessoa na última fila dos retratos de grupo, meio apagada pelo tempo ou com demasiada sombra na cara, percebe-se um bocadinho de blusa, o penteado composto, quase nada.

chega uma altura em que a morte principia a conviver com a gente, se torna diária, íntima, existe no espelho da barba, nos nossos gestos, no modo de meter a chave à porta, entrar em casa, acender a luz, o sofá e os móveis de repente ali e a morte ao nosso lado, caladinha, usando o nosso corpo, a nossa tosse, a nossa voz, a pesar-nos por dentro: Qualquer coisa que comi ao almoço e me ficou aqui

chega uma altura em que a morte é a água num ralo, um estalo de cómoda, um adeus atrás dos vidros, lá em cima, na janela, uma espécie de novembro a entristecer as tardes, o sorriso com que se responde às perguntas, os estranhos, na pastelaria, tão distantes, uma rapariga que nos atravessa com o olhar, a velhice que chegou de repente: (Afinal sou velho que esquisito) (...)

chega uma altura em que a morte é isto sob as pálpebras, estas rugas, este pescoço, pequeninas lembranças de repente importantíssimas, memórias que dariam vontade de fazer troça a quem está de fora e para nós tão doces,

chega uma altura em que não se grita, não se protesta, fica-se mudo, submisso, à espera, suspensos dentro da gente como cegonhas de pata levantada, (...)

chega uma altura, minhas senhoras e meus senhores, em que a morte não é uma pessoa de família, a tal parente não muito próxima que se convida quando há um lugar a mais na mesa, 

chega uma altura em que somos nós a tal parente na ponta da toalha, nós que nos vamos embora antes dos outros: Não se incomodem, não se incomodem (...)

chega uma altura em que se acabou a cara, se acabou a sombra,

chega uma altura em que a casa vazia, um livro deixado a meio, a cabeça sobre a mesa, inútil, (...)

chega uma altura em que este sol sem mim depois de empurrarem o cão atropelado para a berma da estrada.

(António Lobo Antunes, Crónica na "Visão" 11/12/2003) 

Eines Tages ist es soweit...

 


Mar Português

Ó mar salgado, quanto do teu sal
são lágrimas de Portugal !
Por te cruzarmos, quantas mães choraram,
Quantos filhos em vão rezaram !
Quantas noivas ficaram por casar
Para que fosses nosso, ó mar !

Valeu a pena? Tudo vale a pena
Se a alma não é pequena.
Quem quer passar além do Bojador
Tem de passar além da dor.
Deus ao mar o perigo e o abismo deu,
Mas nele é que espelhou o céu.

(Fernando Pessoa, "Mensagem")

Portugiesisches Meer

O salzige Flut, wieviel von deinem Salz
sind Tränen Portugals!
Dich zu befahren, weinten Mütter,
klang Kinderbeten klagebitter;
wie viele Brautgemächer blieben leer,
auf dass du unser seist, o Meer!

Lohnt' es die Müh'? Die Müh' ist nie verloren,
wenn nur die Seele groß geboren.
Willst du Kap Bojador bezwingen,
musst du den Schmerz erst niederringen.
Gott schloß das Meer mit Abgrundsiegeln
und ließ es doch den ganzen Himmel spiegeln.

(Fernando Pessoa in "Botschaft",
Übersetzung von Georg Rudolf Lind, Ammann Verlag)


(Foto: © Vasco Esteves, Frankfurt/Deutschland, 9/2001)

In der fremden Stadt

In dieser Stadt machte ich halt,
ausgespuckt auf steinerne Bahnsteige.
Die Straßen hier sind sauber - und kalt.
Und es riecht nicht nach Essen und Menschen,
sondern nach Benzin.
Und das Meeresrauschen
tönt aus Autowellen,
die sich auf Betonstrände ergießen.

In dieser schönen neuen Heimat,
aufgenommen, als Gast, so sagt man.
Mit großen Reklamearmen: Kaufen Sie!
Kaufen Sie Zigaretten, Autos, Hunde,
Kaufen Sie Sicherheit, Ruhe und Sünden,
Kaufen Sie aus dem In- und Ausland;
machen Sie Handel und Geschäfte!
Lieber heute schon und nicht bereuen,
tauschen Sie den Alten für einen Neuen!
Schließen Sie Verträge ab,
melden Sie sich um!
Kündigen Sie auf, fragen Sie nicht
"Warum?"

Bilden Sie sich aus, Sie haben die Freiheit!
Nehmen Sie einen Kredit auf, seien Sie risikobereit!
Versichern Sie sich, kein Risiko,
morgen ist es vielleicht zu spät.
Kaufen Sie Versicherungen gegen
Betrug, Raub und Pietät!
Gegen Ungerechtigkeit, Langweile und Krankheit,
gegen Tod, mit 10% Wahrscheinlichkeit...

In dieser schönen neuen Heimat,
wo alles so sauber ist und geordnet.
Aufgenommen wurde ich, mit großen Angeboten:
Verkaufen Sie Ihre Arbeitskraft,
Verkaufen Sie Ihre Gefühle, Ihr Privatleben,
seien Sie unser Gast für Dreckarbeit
zum Mindestlohn.
Verkaufen Sie Ihren besten Freund um
einen Platz unter dem Tisch der Reichen.
Spielen Sie,
Spielen Sie Roulett um das Glück,
eine Marionette in einem billigen Stück.

Ach, mein Kopf schmerzt, in dieser schönen Heimat.
Ich denke an meine Kinder, die hier leben sollen.
Ich habe Angst um sie.

(© Vasco Esteves, erschienen 1983
 in der Zeitschrift für Poesie "Rind & Schlegel" SN V)


Vivemos num mundo onde
precisamos de nos esconder
para fazer amor!

Enquanto a violência
é practicada em plena luz
do dia

 

(John Lennon)


Chuva

as coisas vulgares que há na vida
não deixam saudade
só as lembranças que doem
ou fazem sorrir
há gente que fica na história
na história da gente
e outras de quem nem o nome
lembramos ouvir
são emoções que dão vida
à saudade que trago
aquelas que tive contigo
e acabei por perder
há dias que marcam a alma
e a vida da gente
e aquele em que tu me deixaste
não posso esquecer

a chuva molhava-me o rosto
gelado e cansado
as ruas que a cidade tinha
já eu percorrera
ai... o meu choro de moça perdida
gritava à cidade
que o fogo do amor sob a chuva
à instantes morrera
a chuva ouviu e calou
o meu segredo à cidade
e eis que ela bate no vidro
trazendo a saudade

(Jorge Fernando)
(cantada por Mariza)

Regen

die gewöhnlichen Dinge im Leben
hinterlassen keine Sehnsucht
nur die schmerzlichen
oder die lustigen
es gibt Menschen die zu Geschichte werden
zu unserer Geschichte
und Andere, an deren Namen
wir uns nicht einmal mehr erinnern
Gefühle bringen Leben in die Sehnsucht
die ich mit mir trage
Gefühle, die ich mit Dir teilte
nun habe ich sie doch verloren
manche Tage prägen unsere Seele
und unser Leben
wie der Tag an dem Du mich verlassen hast
den ich nicht vergessen kann

der Regen nässt mein Gesicht
frierend und müde
die Straßen dieser Stadt
ich habe sie schon alle durchquert
ach… das Weinen eines verzweifelten Mädchens
ist wie ein Schrei an die Stadt
weil das Feuer der Liebe
gerade im Regen erstarb
der Regen hörte zu und schwieg
über mein Geheimnis gegenüber der Stadt
und wieder schlägt er gegen die Scheiben
und bringt mir die Sehnsucht zurück…
 

(Jorge Fernando)
(gesungen von Mariza, Übersetzung: Vasco Esteves)


(Foto: © Vasco Esteves, Lisboa, 7/2003)

esta noite em Lisboa 
(pensamentos nocturnos)

Wenn ich meine Augen schließe,
sehe ich immer noch die Lichter
durch deine Augen, sehne mich
mit dir unter all den Bögen,
und jedes Funkeln auf deiner Haut
wäre noch ein Kuss von mir.

Wenn ich bei dir bin,
tauche ich in dir ein, nur du
kannst so glühend schwarz sein,
und manchmal wünschte ich,
es gäbe kein Ende hinter der Brücke
und dass der Tejo himmelwärts fließt.

(© Alessandra Mancinelli, 28/10/2003)


 Passagem das horas 

Trago dentro do meu coraçäo,
Como num cofre que näo pode fechar de cheio,
Todos os lugares onde estive,
Todos os portos a que cheguei,
Todas as paisagens que vi através das janelas ou vigias,
Ou de tombadilhos, sonhando,
E tudo isso, que é tanto, é pouco para o que eu quero.

(Fernando Pessoa, 22/5/1916)

Stundenzug

In meinem Herzen bewahre ich
wie in einer Schatztruhe, die man vor Fülle nicht schließen kann,
alle Orte, wo ich mich aufhielt,
alle Häfen, in die ich kam,
alle Landschaften, die ich träumend
durch Bullaugen oder Fenster oder von Decks erblickte,
und dies alles - unendlich viel! - ist wenig für das, was ich möchte.

(Fernando Pessoa, 22/5/1916)